Beleza é subjetiva. Beleza é questão de gosto. O que é belo pra você pode não ser belo pra mim. Mas algumas belezas são unânimes: todo mundo sabe que a Gisele é linda, e eu nem preciso me aventurar a escrever o sobrenome, porque quando se pensa em mulher bonita o nome Gisele já vem à mente. O mundo concorda que o Ronaldinho Gaúcho é desprovido dessa qualidade.
Mas será que todo mundo? Será que a mãe do Ronaldinho concorda, nem que seja lá no fundo de seu consciente? Ou mente pra si mesma para exaltar o próprio feito?
A minha grande dúvida é: sabemos se somos bonitas ou feias? Como decidir?
“Eu me olho no espelho e me acho bonito.” Mas será que você é visto pela sociedade como bonito? Será que quando sua namorada apaixonada mostra suas fotos para as amigas o comentário não é: “Nossa, deve ter bom coração”?
Em que momento da vida nós, mortais, portadores de beleza mediana, decidimos se pendemos mais para um lado do que para outro? Eu mesma já declarei várias vezes: sou uma mulher bonita. Mais pra eu mesma acreditar. Pro universo acreditar. Pra Deus acreditar.
“Deus, por favor, você pode aceitar que sou bonita e com essa aceitação realmente me tornar bonita?”
“Bruna, tô lidando com uma guerra no Irã.”
“Bem na minha vez! Na hora da Gisele você estava livre?”
E longe de mim me achar feia. Eu sou do tipo de beleza que eu intitulei de DEPENDE. Tem dias e dias. Arrumada para uma festa? Bonita. Acordando? Prefiro não comentar.
Talvez as mulheres tenham se identificado com o meu ponto de vista.
Os homens jamais.
Num geral, os homens têm uma autoestima invejável, uma segurança impressionante e um senso estético bem questionável. A prova disso é o cantor Belo se auto-intitular Belo.
Mas existem momentos em que a feiúra ataca até as mais lindas criaturas. Antigamente o único momento de ausência completa de beleza era quando o seu cabeleireiro te largava na cadeira, na frente do espelho, com o cabelo molhado e repartido no meio.
Hoje, com a tecnologia, temos uma nova oportunidade de testar se Deus te ama ou não: quando o banco pede pra habilitar no seu app o reconhecimento facial. Ele abre a câmera, você já se assusta com a imagem. Ele pede pra aproximar. Com dor no coração você aproxima, evidenciando todos os seus poros, manchas e defeitos. Não satisfeito, pede pra aproximar mais uma vez.
Ali dá pra ouvir até as vozes da sua cabeça. Quando você acha que já foi humilhada o suficiente, o app te avisa que ainda não deu certo e você precisa reiniciar o processo. Aí é ligar pra clínica de estética ou pra terapeuta.
Depois fiquei pensando: se for difícil pra mim, imagina pro Ronaldinho Gaúcho?


Tem dias que a gente acorda bem princesa, cabelo macio, gostoso, sem um fiozinho fora do lugar. Pele brilhante, zero cravos, espinhas ou poros evidenciados, sobrancelha intacta e nem um fiozinho no bigode.
Esses são os bons.
Daí chega o dia que vc acorda com um vulcão no meio da cara, uma cratera do outro lado, sua cara tá toda empipocada de alguma merda que passou nela entupiu vários poros pq não tirou tão bem assim na noite anterior, uns 30 fio de bigode perto das narinas, uns pêlo no pescoço, queixo, parecendo um adolescente de 13-14 anos no ápice de sobe e desce hormonal e vc se sente a pior pessoa do mundo e que nada tá dando certo.
É bem bizarro atrelarmos os nossos dias bons e ruins com a nossa “beleza do dia”, varias vezes, e como a nossa autoestima flutua absurdamente por conta disso, algo tão trivial que “não temos controle” (tirando cuidados básicos, mas quando vc tem dinheiro, dá pra cuidar melhor kkk) - enquanto os homens só levantam, coçam o saco, cheiram, lavam o cabelo, barba, corpo com shampoo 10 em 1, que só falta poder escovar os dentes e saem se achando perfeitos…
E a sociedade aceita, isso que é o pior.
A gente não vê isso acontecendo com a maioria dos homens medianos a feios, os tratamentos são 99,999999% voltados pra mulher, já os Renato Aragão da vida ficam aí, com camiseta de time e achando que são a última bolacha do pacote.
As vezes são né? Tudo amassado e quebrado que ninguém quer.
Ahhahahahahhaha